Confira todos os post anteriores: Clique Aqui!

Imagem do ator Gregory Peck no filme To Kill a Mockinbird de 1962.

Imagem do ator Gregory Peck no filme To Kill a Mockinbird de 1962

Ainda não leu a resenha de “O Sol é Para Todos”? Confira: Clique Aqui


Que To kill a Mockinbird é um sucesso nos números não é novidade para ninguém. O fato é que a obra de Harper Lee por muitos anos só foi adorada, principalmente por causa de um tal de Atticus Finch, personagem capaz de dizer que nós precisamos nos imaginar no lugar das outras pessoas, precisamos ter empatia ao semelhante, defender os negros, repudiar o racismo, o sexismo e não devemos reagir mesmo que alguém cuspa em nosso rosto. Como relata Christopher Metress, da Samford University em seu texto “The Rise and Fall of Atticus Finch”, Já houve época, mais precisamente 1991, que o romance foi considerado o segundo livro mais citado como influência na vida das pessoas, perdendo apenas para a bíblia, no entanto, os críticos literários que estão lendo ou relendo a obra começam a dizer que Atticus não é tão herói assim, O Sol é Para Todos perde a sua doçura e começa o seu declínio para deixar de ser um grande ícone da literatura americana, ou seja, segundo eles, nunca antes o livro de Lee esteve tão amargo. Seria ingênuo dizer que a obra não obteve críticas antes de 1990, há inclusive uma bem conhecida da sulista Flannery O’Connor, que, em uma carta à escritora do Alabama Caroline Ivey, chamou o romance de “um livro infantil.” “Quando eu tinha quinze anos,” O’Connor afirmou, “Eu teria adorado. Retire o estupro e você tem algo como Miss Minerva e William Green Hil. Eu acho que para um livro infantil tudo bem. É interessante que todas as pessoas que estão comprando ele (o livro) não sabem que eles estão lendo um livro infantil. Alguém deveria dizer para eles que é.”

Mas foi na edição de 24 de fevereiro de 1992 da Legal Times que a pancada veio mais forte. O Professor de Direito da Hofstra University e o editor Monroe Freedman dedicaram toda a sua coluna para o romance de Lee. Em um artigo provocativamente intitulado de “Atticus Finch, ESQ, R.I.P.” Freedman rejeitou a noção de que Finch era um modelo para os advogados. “Se não fizermos algo rápido”, Freedman ordenou a seus leitores, talvez daqui a algumas décadas “advogados demasiado tardios vão começar a tomar [Finch] a sério como alguém para imitar. E isso seria um grande erro “os pontos de Freedman são muitos, mas seu argumento essencialmente se resume a isto: Atticus Finch não agiu heroicamente em sua representação de Robinson, mas ele faz isso a partir de um sentido elitista e sob compulsão de um compromisso no tribunal, Finch nunca tenta mudar o racismo e sexismo que permeiam a vida em Macomb, pelo contrário, ele vive sua própria vida como o participante passivo em que a injustiça é generalizada. E isso não é minha idéia de um modelo para jovens advogados.” Deixe-me colocar desta forma, “Freedman continua,” eu teria mais respeito por Atticus Finch se ele nunca tivesse sido obrigado pelo tribunal para representar Robinson, mas se, em vez disso, ele se comprometesse voluntariamente para estabelecer o direito dos cidadãos negros de Macomb para sentar-se livremente em seu tribunal do condado [e não segregados na varanda]. Assim talvez ele teria sido um modelo para os jovens advogados para emular “.

Confesso que concordo com Sr. Freedman, fiquei pensando e essa ideia ficou reverberando… Atticus, na verdade, foi compelido para a defesa, apenas mais um caso, um dever a ser cumprido. Ainda tem o pior, quando questionado pelos filhos sobre defender um negro ele ainda diz que precisa ser ele, que é por princípios e questão de honra. Não sei, ainda estou balançado com essa perspectiva, mas neste momento, tenho a convicção de Atticus Finch não é tão herói assim…

Fonte: The Rise And Fall Of Atticus Finch

Gostou do conteúdo? Qual a sua opinião?

Comente, será um imenso prazer conversar com você!

Quer que mais pessoas saibam do assunto? Compartilhe, pois me ajudará muito!

Quer me indicar livros, elogiar, sugerir ou criticar? Envie um e-mail para contato@vidaliteraria.net

Siga-me também nas redes sociais para ficar por dentro das novidades.