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“Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam.


Sérgio, o protagonista, passa, sendo bem sincero, por poucas e boas dentro do internato, um ambiente hostil para um garoto de apenas 11 anos.Tudo clareia quando a névoa da história vai se dissipando e, aos poucos, mostrando a real face do internato que outrora parecia convidativa, e, meu amigo, que inicio é este? O texto acima mencionado é apenas um fragmento do primeiro capítulo do Ateneu de Raul Pompéia, sem dúvida, marca muito, marca esta que nós vamos descobrindo ao transcorrer de toda a história.

Um bom livro consegue fazer boas “amarras” na trama, para te envolver, te prender, te fazer querer ler página após página. E aqui vale você perceber algo importante, há obras que começam pelo final da história, que começam no ápice, no clímax, e ao desenvolver da história o autor vai soltando aforismos, lampejos e cenas do porquê do início. Pois bem, este não necessariamente é caso do Ateneu, porque o final do livro, que normalmente é o apogeu da história, não faz referência direta à frase, diria que indireta, que vem à tona como resultado de tudo aquilo que o protagonista presenciou. Este fragmento só se torna inesquecível quando você termina a narrativa e boa parte do que é vivido está ali, resumido, enxuto em apenas um emaranhado de palavras jogadas numa frase logo na primeira página. Sensacional!

Portanto, meu nobre, livros que possuem inícios marcantes como este têm um lugar especial em nossos corações, é incrível ver como um escritor tem tamanha eficiência, sensibilidade e talento para nos cativar e fazer começos memoráveis assim. Aqui fica o meu amor e reconhecimento a este início, que me marcou, que me fez colocar a mão na cabeça e refletir o quanto um bom início é essencial a uma obra que quer se tornar monumental.

E você? Qual início que te marcou?

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