Olá, leitores!

Confira todos os post anteriores: Clique Aqui!

Hoje, o tema é polêmico. Você está preparado?

Vamos lá…

Estou um pouco atrasado, eu sei. Atrasos à parte, há algumas semanas, especificamente no dia 30 de junho de 2017, a Folha de São Paulo publicou um texto que vem reverberando e causando muitas discussões desde a sua publicação. Portanto, para que você se situe com o ocorrido, sugiro a leitura de alguns textos:

=> Texto Original Folha de São Paulo: (Clique Aqui);

=> Editora Pede Mudança Em Romance: (Clique aqui);

=> Censura ou Proteção das Minorias?: (Clique Aqui);

=> Editoras Contratam Leitor Sensível: (Clique Aqui);

=> A Polêmica dos Leitor Sensível: (Clique Aqui);

=> Leitores Sensíveis por Fred Coelho: (Clique Aqui);

=> Para Leitores Sensíveis com Amor: (Clique Aqui);

O vídeo do Yuri do Blog Livrada também está muito bom e vale ser assistido:

O Portal Homo Literarus em seu podcast semanal também falou sobre o assunto:

A discussão aqui precisa ir muito além dos “Sensitivity Readers”. Trata-se aqui de uma enorme repressão pandêmica que está afetando a todos nós, a máscara do leitor sensível encobre uma face lívida e horrenda que, sem dúvida, precisa cair.

“Olho por olho e o mundo acabará cego”

Ghandi.

O discurso de querer defender minorias e temas como escravidão, sexualidade, problemas psiquiátricos, vícios e etc…, aparentemente, parece límpido como uma nascente. Todavia, esconde o chorume fétido da represália, cerceamento da liberdade de expressão e a tentativa de influenciar milhares de leitores. A literatura, como toda expressão artística, não é estática. Ela absorve a cultura e o espírito de seu tempo. Nota-se, facilmente, toda a sua mudança ao longo da história, basta que paremos e analisemos a obra de Sthendal a Proust ou de Machado a Raduan. Portanto, é natural que toda a literatura continue a englobar todo o derredor que delineia o seu tempo. Sendo assim, portanto, se encrustarmos a cultura de leitor sensível e as editoras abraçarem essa causa, nós teremos apenas textos pobres, sem vida, mas, de forma alguma, literatura.

“Para fazer literatura você precisa ser terrivelmente sincera. E é incrível, se você atinge a verdade, está fazendo ficção, que é mentira”.
Elvira Vigna.

Em literatura, na verdade, na arte, a liberdade criativa é fundamental para qualquer obra nascer, sem esse elemento, infelizmente, qualquer obra já nasceria natimorta. Nesse sentido, concordo com Paulliny Gualberto Tort do Rascunho quando diz que: “Escritores não são mamães que nos contam fábulas edificantes quando estamos na cama prestes a dormir.” Encontramos na literatura, claro, momentos exultantes, de riso largo e lepidez visível. Porém, incutida nela também está a tristeza, o choro, o medo. Ela também incomoda, fere, faz refletir. Não compreender essa natureza é retirar da literatura a sua essência.

“Leitores Sensíveis” nada mais são que ditadores da ética e moral tentando ditar leis em um universo que não possui leis, regras, nem receita do sucesso. O que seria de Vladimir Nabokov e Lolita? Garcia Marquez e o título do seu livro “Memorias de Minhas Putas Tristes?” Talvez se trouxermos para o Brasil fique mais claro… O que seria de Jorge Amado e “Capitães de Areia?” Vamos lá! O livro foi publicado em 1936 e é um dos clássico que conta a história de meninos que vivem pelas ruas. O livro fala de abandono, pobreza, criminalidade e sincretismo religioso. Ao mostrar a realidade dos meninos de rua, Amado também fala dos estupros cometidos pelos integrantes da gangue, que têm dificuldade em perceber que estão fazendo coisas erradas. Entendeu? Nenhuma obra seria o que é se tivesse toda essa malha fina até o resultado final. A liberdade de dar um sorriso ou uma cara feia, de dar flores ou pedras, sempre, SEMPRE, é do leitor, todo esse cerceamento só corrobora para o declínio da literatura.

Vale salientar, ainda, que o escritor se responsabiliza pelos seus escritos e deve ter ciência de sua responsabilidade. Um novo livro lançado é uma incógnita e todo o seu progresso ao longo do tempo pode ser uma eterna senóide. Cabe à editora, sem dúvida, ter culhão de assumir os riscos junto com os autores. Harper Lee, por exemplo, teve seu livro banidos em escolas da Virgínia e mesmo assim é um sucesso.

Ao cabo, tolher escritores e passar a caneta vermelha em seus textos é uma derrota para todos. A literatura de qualidade passará incólume às tentativas de derrubá-la, mesmo quando discorre sobre assuntos como racialidade, sexualidade, religião, política ou seja qualquer tema que divida opinião. Portanto, não publicar livro A ou B por ir de encontro e não ao encontro de conceitos éticos estabelecidos é erro certo. Leitores Sensíveis? Acho que não, prefiro: Matadores de livros.

O Outro Lado da Moeda…

Uma coisa é fato: Editora não faz arte. Não é de hoje que as editoras possuem a característica de melindrosa, a publicação de uma obra passa por diversos crivos e não podemos ter dúvida disso. Milhares de textos são enviados para as editoras, alguns são selecionados e a minoria é publicada. A grande maioria é, de fato, rechaçada. Como empresa que visa o livro, variáveis como quem escreve e qual o a prospecção que a obra a ser publicada pode ter irão ser colocadas na balança. Pensemos! Qual rede faz sucesso atualmente? Youtube! Parou para pensar quantos livros de Youtubers foram lançados nesses últimos anos e os rios de dinheiro que as editoras lucraram?

=> Youtubers aliviam editoras (Clique aqui)

Vamos a algumas obras lançadas:

Ta todo mundo mal (2016) Joutjout / O Livro do Isaac. Para Fortalecer a Amizade (2016) Isaac Guedes / O Sensacional Livro Antitédio do Lucas Rangel (2016) Lucas Rangel / As Merdas de um Youtuber (2016) Gabriel Gomes / Eu fio loko 1 (2015) Eu fico loko 2 (2015) Eu fico loko 3 (2016) Christian Figueiredo / Não faz sentido (2013) Felipe Neto / Muito mais que 5 minutos (2015) Ta gravando? (2016) Kéfera / Minha vida antes do invento na hora (2016) Lucas Lira / O diário secreto (2016) Gustavo Stockler / Tudo tem uma primeira vez (2016) Vitória Moraes / Fala galera (2015) Luis Mariz / Diário de um adolescente apaixonado (2015) Rafael Moreira / Pc Siqueira está morto (2016) Alexandre Matias / Authentic Games (2016).

Esses são apenas alguns dentre milhares existentes que fariam essa lista tender ao infinito. Esse é o mercado editorial. Não estamos mais no século XVI e a arte inspirada que é produzida em sua obra não será o maior ponto a ser considerado para que seu livro seja publicado. Assim como a literatura, o mercado mudou, não que eu concorde, ele apenas é o que é, duro, frio, tirano.

Enfim, o que você pensa sobre leitores sensíveis? Mercado editorial e liberdade de expressão?

Gostou do conteúdo? Comente, será um imenso prazer conversar com você!

Quer que mais pessoas saibam do assunto? Compartilhe, pois me ajudará muito!

Quer me indicar livros, elogiar, sugerir ou criticar? Envie um e-mail para contato@vidaliteraria.net

Siga-me também nas redes sociais para ficar por dentro das novidades.