Olá, leitores!

Hoje, nós vamos entender o porquê do impacto dessa obra!

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Caindo de Paraquedas:

Estamos diante de uma das obras mais aclamadas da literatura: O Pequeno Príncipe. Um avião cai no deserto, mas, de repente, uma criança loura vem ao encontro do piloto desesperado dizendo que veio de um outro planeta pequeno e distante. É nesse diálogo entre os dois personagens que vão acontecer reflexões sobre a vida, o seu sentido, valores, e, claro, pessoas grandes!

Resenha:

Falar sobre O Pequeno Príncipe ou qualquer outra obra tão amada e conhecida é entrar em terreno de tensão, pois ideias e análises podem ser muito mal interpretadas ou refutadas sem qualquer tipo de reflexão anterior, o que, na minha opinião, é sempre ruim. Precisamos dar espaço para o diálogo. E os monólogos? Possuem o seu espaço, sem dúvida! Porém, nota-se a falta de uma vida construída com mais dúvidas, pontos de interrogação, questionamentos. O que está à mostra, infelizmente, são verdades prontas e tristes afirmações acompanhadas de um ponto de exclamação.

Por conseguinte, o que vou dizer digo sem titubear: a maior barreira para o leitor que almeja ler um grande clássico é o senso comum. O que quero dizer? Pois bem, é bem provável que 10/10 das pessoas que você pergunte sobre O Pequeno Príncipe vão dizer: “É um livro fofo”, “É lindo”, “Amo muito”, “Muito bom”, ou seja, faz com o que o leitor fique receoso em ler por um simples motivo: E se eu não gostar? Quando nossas ideias vão de encontro às grandes massas, a propensão de sermos rechaçados é bem alta. Senti-me assim quando li um dos livros que mais amo: Hamlet, do Shakespeare. Ao mesmo tempo que tinha um desejo muito grande em lê-lo, estava num embate tremendo e doloroso, o medo de não gostar era angustiante. Ao cabo, eu acabei amando o livro, outras pessoas podem odiar, achar chato, cansativo, e o que tem demais? Afinal, gosto é algo subjetivo. O melhor conselho é você ler e tirar as suas próprias conclusões seja qual for o livro, debater, dialogar e construir pensamentos juntos. Enfim, é com essa linha de raciocínio que voaremos juntos com o nosso pequeno aviador. Vamos para o livro?

“A Léon Werth, quando era um pequeno garoto”.

Não posso me ater e ficar preso em contar apenas a história nua e crua, pois nosso pequeno aviador nada mais é do que o terceiro livro mais vendido e traduzido no mundo – são, aproximadamente, 160 idiomas que possuem traduções e ele figura entre um dos mais vendidos (talvez mais vendido do que lido, de fato). Ou seja, até mesmo quem não leu sequer uma página do Pequeno Príncipe conhece a sua história de aviador perdido no deserto. Vale ainda ressaltar que as frases contidas na obra provavelmente são mais conhecidas ainda, sendo citadas de forma exaustiva no Instagram, Facebook, Google Plus. Ops! Esse último não.

O primeiro questionamento que me parece surgir é se o livro é ou não um livro infantil. Há aqui um grande dilema! Tendo a pensar que a intenção é sempre do leitor, óbvio, pois é ele que absorve a narrativa, que degusta, tudo depende da sua trajetória de vida, do seu conhecimento, da sua classe social e momentos vividos. Portanto, dizer que tal obra é infantil é colocar um limiar muito angustiante. O que acontece e reforça o meu pensamento da intenção ser sempre do leitor são as inúmeras interpretações sobre o livro de Exupéry. Para uma criança, por exemplo, pode ser apenas um livro fofinho, com frases bonitas, aquarelas que não destoam da história e fábulas bem orquestradas, mas, para mim, soa muito mais como uma obra filosófica e com reflexões sobre a vida muito pertinentes.

A próxima análise me parece ser a que mais divide opiniões entre os leitores: AS FRASES! Há os que detestam, zombam e não suportam. Logo que se deparam com elas pensam em autoajuda, pseudofilosofia, pensamento raso, frases prontas que não acrescem em nada. Enfim, eu não sou desses.

“Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”.

Desde que o ser humano existe há a reflexão, questionamentos e reverberações que precisam ser feitas para que a vida seja construtiva. Nesse seguimento, está incutida uma característica no menino: ele nunca desiste de uma pergunta. À princípio, ele pode ser compreendido apenas como um menino chato, mimado e que enche o saco das pessoas. No entanto, olhando de outro espectro, traz à baila ponderações e ensinamentos úteis para as pessoas grandes. Ao longo da leitura, que deve ser feita atentamente, vamos nos depara com dezenas de frases como:

-> Os adultos nunca entendem nada sozinhos;
-> Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas;
-> As pessoas são solitárias pois constroem muros ao invés de pontes;
-> A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar;
-> É bem mais difícil julgar a si mesmo do que os outros;
-> Quando o mistério é muito grande a gente não ousa desobedecer;
-> Todas as pessoas grandes foram um dia crianças, mas poucas sabem disso;
-> É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar;
-> Quando a gente anda sempre em frente, não é possível ir muito longe;
-> É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas;
-> É loucura odiar todas as rosas porque uma delas te espetou;
-> Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.

Enfim, essas são apenas algumas dentre tantas outras que o livro inteiro nos traz. Todas essas frases estão inseridas na história como fábulas e metáforas que discorrem sobre amor, amizade, perseverança, confiança e etc… Vamos falar sobre uma?

“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”.

Gosto dessa frase pois ela diz sobre felicidade. Se pudéssemos resumir a nossa efêmera existência em poucas palavras, elas seriam: diminuir as tristezas, angustias e dissabores para sempre buscar os momentos felizes, de efusão e que não queremos que acabem. No entanto, as experiências tristes (as larvas) precisam existir para que os dias felizes e belos (as borboletas) possam valer a pena e serem apreciados da melhor maneira.

Viu? É dessa sutiliza que estou falando. Poderíamos aqui discorrer muito mais sobre os baobás e que precisamos cortar o mal pela raiz, que nós precisamos enxergar as pessoas muito mais pelos seus valores do que apenas sobre o que é visível ao solhos, que nós devemos ser atentos em quem cativamos e por quem somos cativados, que devemos julgarmos a nós mesmos antes de julgar os outros, que é necessário nos relacionarmos melhor com os que estão ao nosso derredor e não criarmos muros e vivermos solitários. Enfim, os assuntos tendem ao infinito! O que quero deixar aqui límpido como a água de uma nascente é que: Le Petit Prince não é apenas um livro infantil bobinho.

Antoine de Saint-Exupéry ainda coloca no Pequeno Príncipe grandes críticas aos adultos, ou como ele mesmo gosta de dizer, as pessoas grandes. Isso fica explícito desde o prefácio do livro até a viagem do menino de cabelos louros pelos planejas, onde ele se encontra com adultos bêbados, vaidosos e gananciosos. Segundo ele, as pessoas grandes são ligadas aos números e não entendem, nunca, nada sozinhas. O que, de fato, é uma realidade, é que ao passar dos anos vamos ficando mais chatos, os baobás da vida fazem com que nós nos tornemos pessoas mais desconfiadas e, às vezes, tristes.

Ao cabo, o fim das nem 100 páginas desse livro acaba sendo, ao mesmo tempo, um livro infantil, filosófico, divertido e quiçá, essencial para fugirmos um pouco da monotonia do dia a dia. Se procura uma leitura leve com uma bela história, esse é o seu livro, mas se quer um livro reflexivo e profundo, esse também é o seu livro. Enfim, leia!

Situando-se:

Antoine de Saint-Exupéry nasceu em Lyon França, no dia 29 de junho de 1900. Era o terceiro filho do conde Saint-Exupéry e da condessa Marie Fascolombe. Estudou no colégio jesuíta Notre Dame de Saint Croix e no colégio dos Maristas, em Friburgo, na Suíça. Escreveu para jornais e revistas francesas. Possui diversas obras, sempre caracterizadas por elementos de aviação e de guerra, entre elas: “O Aviador” (1926), “Voo Noturno” (1931), “Terra dos Homens” (1939), “Carta a um Refém” (1944). Mas sem dúvida, o seu livro mais importante foi “O Pequeno Príncipe” (1943). Exupéry nos deixou em 31 de julho de 1944.

Além das Páginas:

Há muitas curiosidades que circundam o universo do Pequeno Príncipe. Por exemplo, Exupery foi de fato aviador durante a sua vida, o que explica seus diversos livros tratarem de guerra e aviação. Também há a teoria de que a flor da livro que ele tanto ama seria o seu grande amor da vida real: a senhora Consuelo de Saint-Exupéry. Enfim, ficaríamos dias aqui escrevendo e ainda não esgotaríamos o tema.

O Filme:

Em 20 de agosto de 2015, saía a mais nova animação para o cinema do Pequeno Príncipe, e que filme! Com fidelidade ao livro, a animação traz uma história de uma menina que é rigorosamente regrada pela mãe, que a controla, que planeja o seu futuro, que a engessa e que torna a vida dela diferente daquela que, de fato, ela gostaria de viver. Um dia a família se muda e a garotinha conhece um velho aviador, que é o seu vizinho, e que vai introduzir a história do menino de calos louros na narrativa. Sério, é lindo. Não perca a oportunidade de assisti-lo. Apesar de ter assistido pelo Telecine Play, basta uma rápida pesquisa na internet da vida que você o achará facilmente. Confira o trailer abaixo. Deguste sem moderação!

Ainda há uma animação de 1978, disponível na Netflix em 16 episódios, mas também alguns episódios disponíveis no YouTube. Nesse caso, é apenas baseada na história do nosso aviador. Assisti alguns episódios e não gostei muito, porque a animação mostra o príncipe como um herói e um amuleto da sorte, o que, na minha opinião, não “ornou” bem. No entanto, tire suas próprias conclusões e dê uma chance a alguns episódios. Segue o link abaixo.

Ufa! Acho que retornamos em grande estilo. Um grande abraço e até semana que vem!

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