Olá, leitores!

Hoje, nós vamos ser causticados pelo sol!

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Caindo de paraquedas:

O Sol é Para Todos (ou To Kill a Mockinbird) é uma história contada em uma cidade chamada Maycomb, onde reside a famlília dos Finch, formada por Jem, Scout e Atticus, que é advogado e defenderá um negro em uma causa praticamente perdida. O livro é um sucesso e já vendeu mais de 30 milhões de cópias nos Estados Unidos e, no último ano, ganhou a recomendação até do presidente Barack Obama.

Resenha:

Sabe… Há algo no meu âmago que grita desesperadamente para que este livro de hoje seja estudado mais a fundo, tenho certeza de que não conseguirei esmiuçar da maneira como esta obra merece, claro, faltaria-me notório saber. No entanto, conversar sobre o Sol é Para Todos nos requer um certo cuidado, não quero aqui, de maneira alguma, cair num maniqueísmo, muito menos em pensamentos fúteis e frívolos, meu intuito é, sem dúvida, expressar minha opinião sobre os assuntos abordados no livro, abrir, neste pequeno monólogo escrito, uma porta para que um diálogo seja iniciado.

Como já mencionado, toda a narrativa, a qual é contada em primeira pessoa pela criança Scout e possui em seu enredo, além da menina, seu irmão Jem e seu amigo de férias Dill, vai se passar em uma cidade chamada Maycomb, local pequeno e que possui velhinhas fofoqueiras, crianças pentelhas e tudo que o esse esteriótipo pode conter.

“Vivíamos na principal rua residencial da cidade: o Atticus, o Jem e eu, mais a Calpurnia, a nossa cozinheira. Eu e o Jem achávamos o nosso pai razoável: ele brincava conosco, lia para nós e nos tratava com um distanciamento cortês”.

Em Maycomb havia famílias peculiares como os Ewell, com crianças que assistiam à primeira aula e não retornavam mais, também havia os Cunningham, que não aceitavam nada que não pudessem devolver depois, nem cestas de mantimentos da igreja, nem vales alimento do governo. Nunca tomaram nada de ninguém e se viravam para viver com o que tinham.

Porém, nenhuma dessas famílias chegam perto, no quesito interesse e medo, da dos Radley, especificamente o Arthur Radley, ou melhor, mais conhecido como Boo Radley.

“Os Radley, que eram muito bem vindos na cidade, não se relacionavam com ninguém, o que era imperdoável em Maycomb. Não iam à igreja, a principal diversão local, cumprindo suas devoções religiosas em casa”.

Por toda a história vai pairar no ar a sensação de que o Boo Radley é um recluso que odiava as pessoas, que a qualquer momento podia sair e machucar as crianças chatas que tentavam de todas as maneiras observar o que ele e sua família fazia dentro de casa e o motivo de serem, aparentemente, tão avessos aos locais públicos e movimentados. Todavia, influenciados por Dill, as crianças certa noite tentam bisbilhotar o que acontece na casa dos Radley, coisa boa não podia acontecer, o sr. Nathan Radley tenta acertá-los com a sua espingarda e na correria a calça de Jem fica presa na cerca, em outro momento o menino volta para buscar a calça presa e, pasmem, ela está costurada. Quem será que costurou? Boo Radley?

” – E tem mais – disse Jem baixando a voz. – Vou mostrar quando chegarmos em casa. Alguém costurou as calças. Não como uma mulher, mas como tentaria eu fazer. Tudo torto. Como se…
-… alguém soubesse que você ia voltar para buscar.
Jem estremeceu”.

A sala de aula é um lugar que estará presente no nosso cotidiano por muitos anos, alguns até pela vida inteira, o que eu quero com isso? No livro, logo no início, uma cena me fez refletir…

“Fiquei entendiada e comecei a escrever uma carta para Dill. A srta. Caroline me pegou escrevendo e repetiu que eu devia dizer para o meu pai para não me ensinar.”

Esse acontecimento suscita uma discussão interessante sobre educação e alfabetização pelos pais, além da reguada no aluno hoje em dia ser algo totalmente inadmissível. Primeiramente, gostaria de dizer que a família faz parte da educação dos filhos e preciso deixar aqui uma breve diferenciação. O senso comum, infelizmente, acaba achando que a educação se limita à escola, pura e meramente alfabetização e conhecimento científico transmitido pelos professores, quando na verdade a alfabetização é apenas uma parte da educação, que escola, família, indivíduo e sociedade tem a sua cota parte de colaboração.

Com isso rapidamente esclarecido, o que vou por em cheque é a alfabetização.Pode a família interferir nesse quesito? Não estou falando de alfabetização por professores em casa, como, por exemplo, desde Alexandre o Grande, que foi alfabetizado por uns dos maiores pensadores, Aristóteles, e até hoje pais que optam por esse modelo, mas estou falando dos próprios pais alfabetizarem os filhos. Eu, particularmente, tive a felicidade de ter a mãe professora e alfabetizadora, o que me ajudou, e muito, nas séries primárias, por muitos anos estudava muito mais em casa do que na escola. No entanto, não sei até que ponto pode ser positivo para as crianças essa interferência, qual a sua opinião?

“Estou só defendendo um negro… ele se chama Tom Robinson. Ele mora naquele pequeno assentamento atrás do lixão. Frequenta a igreja de Calpúrnia, que conhece bem a família dele. Cal disse que são boa gente.

Um grande ponto que o livro aborda é o preconceito racial, tema este que, para muitos, é o principal. Tom Robinson, sendo negro, é acusado de ter estuprado uma branca em uma cidade onde há claramente uma segregação entre eles. Aticcus, que é advogado, tenta de todas as maneiras para que seu cliente seja absolvido… e o desfecho dessa história? Surpreendente!

Não tem que trazer filho de branco aqui, eles têm a igreja já deles, nós temos a nossa. Essa é a nossa igreja, está lembrada, srta. Cal?

O fato é que, é interessante também ressaltar que o preconceito racial no livro é tratado pelos dois lados da moeda, dos brancos com os negros e vice-versa. Porém, o destaque vai para as crianças. Sabe… eu não acredito 100% na pureza e inocência das crianças, mas, certamente, a visão que elas possuem do mundo é totalmente diferente da nossa. A obra, que é contada da visão de uma delas, nos traz momentos para refletirmos sobre este tema deveras delicado. Eu poderia dissertar longamente sobre o assunto para defender meu ponto de vista. Todavia a frase do livro me representa:

– Mas todo mundo tem que aprender, ninguém nasce sabendo. Walter é muito inteligente, ele só atrasa na escola porque tem que ajudar o pai. Não tem nada de errado com ele. Olha, Jem, eu acho que só existe um tipo de gente: GENTE.

REFLITA!

To Kill a Mockinbird possui um linguagem leve, cativante e aborda temas interessantes, não é a toa que por muitos anos é leitura obrigatória em várias escolas americanas. Mostra-nos muitos esteriótipos, como por exemplo, a menina Scout, que figura toda a narrativa como o vulgo “moleque macho” e sofre na pele as pessoas julgando-a. É um livro de amadurecimento das crianças e nos mostra que mesmo que as circunstâncias possam parecer ignóbeis nós nunca devemos perder as esperanças; mas a grande lição que este livro me deixou e gostaria de compartilhá-la é que as aparências enganam e enganam muito! Estou falando de Boo Radley, o recluso que vai te surpreender! ficou curioso? Então pegue a sua edição e comece a leitura!


Situando-se:

Em 28 de Abril de 1926, Monroeville, Alabama, nascia Nelle Harper Lee, que viria a se tornar dona de um dos maiores clássicos americanos. Por muitos anos To Kill a Mockinbird foi seu filho único, foi ganhadora do prêmio Pulitzer de Ficção em 1961 pela sua obra. Ficou toda a sua infância e adolescência na cidadela de Monroeville, depois passou um tempo em Nova York, mas voltou a cidade natal e ficou lá até a sua morte, que aconteceu em 19 de fevereiro de 2016. Era considerada uma pessoa bem reclusa e publicou apenas mais um livro, Go Set a Watchman, que vendeu simplesmente mais de 1 milhão de cópias na primeira semana.

Além das páginas:

Você provavelmente conhece Jhon Green, no entanto, não só de A Culpa é Das Estrelas que ele vive. Jhon possui um canal no Youtube chamado Crash Course, no qual aborda temas diversos, com vários cursos de áreas distintas. Literatura, sem dúvida, não podia faltar em seu canal, em um dos vídeos ele aborda a história de “To Kill a Mockinbird”, está legendado em português, confira:

O Filme:

Como a maioria dos clássicos, O Sol é Para Todos possui uma adaptação para o cinema. Apesar do filme ser de 1962 e ser em preto e branco, ele consegue transmitir, com certa maestria, as ideias abordadas no livro. Eu, minucioso que sou, sempre fico incomodado com as adaptações, pois, muitas vezes, acabam deixando de fora os pequenos detalhes importantes e entregam algo muito mais comercial. Ainda vale ressaltar que a trama concedeu ao ator principal Gregory Peck um Oscar pela sua atuação como Atticus. Enfim, o filme é discreto e sensível, todavia, figura até hoje em muitas listas como melhor filme de todos os tempos. Não é a melhor adaptação que já assisti e indicaria só pra quem gostou muito do livro, mas tire as suas próprias conclusões, assista!

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