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O incômodo…

O professorado me traz muitas memórias, pensamentos e reflexões. Poderia eu – sem dúvida e não menos importante – externar dados de um sistema educacional precário, tentar firmar o pensamento da educação como investimento e não como custo, colocar em xeque e para discussão a história da cultura escolar aqui no Brasil e gastar toda minha elã vital nisso. Hoje não, pois, neste momento, o objetivo aqui é outro.

Incômodo intermitente… (Que Saco!)

Tenho ciência de que o meu texto nada influenciará nas condições dos professores, que nada afetará de forma contundente os que amanhã entrarão em salas de aula por todo o mundo com uma das missões mais nobres e que mais estimo, que não fará os seus salários pífios aumentarem, que não fará apagar de suas mentes toda trajetória de percalços enormes e que tendem a crescer cada vez mais, que nada mudará o cenário de descaso e esquecimento, da desvalorização, desmotivação. Entretanto, cá estou para demonstrar o meu amor por essa profissão.

A referência…

Ensinando as regras gramaticais desde cedo…

Sim! Sou filho de professor.

Aprendi desde muito cedo que o estudo, a leitura e literatura fariam parte da minha vida de forma direta ou indireta. Se hoje sou esse amalgamado de coisas que peristalta por aí e que troca, muitas vezes, praia por um livro, passa horas escrevendo, lendo, estudando. Se hoje tento ser, ao máximo, educado, gentil, empático, não elevar a voz ao falar com o receptor da minha mensagem e tampouco agredi-lo com palavras, a pessoa que você visualiza acima possui grande parcela nisso.

Estudei boa parte da minha vida na mesma escola em que minha mãe lecionada, o que, de certa forma, era muito legal. No entanto, o que me marca e vem sempre à memória são os momentos em que ter a mãe na escola me incomodava. Nunca fui um aluno ruim, mas criança/adolescente, por definição, é um ser peculiar. Bastava qualquer conversa a mais, um bolinha de papel voar ou atrapalhar a aula da professora, minha mãe aparecia na porta da sala, postura ereta, face rígida e discurso pronto:

– Mãe: Luiz Felipe Mittre da Cruz, em casa a gente conversa!

Nas primeiras vezes eu gelava! Apanhei algumas vezes, claro.

Tenho ainda uma grande memória que gostaria de compartilhar, memória esta límpida como um nascente. Sempre estudei pela manhã em meu ensino fundamental, saía da escola e ao chegar no aconchego do lar eis que – todos os dias e por muitos anos- estava dona Zilá na copa de casa terminando as anotações na losa das atividades do dia. Logicamente eu a questionava: “Mas mãe, acabei de estudar na escola.” De nada adiantava, estava lá eu por mais algumas horas revisando o que tinha estudado na escola e fazendo atividades extras com mamãe. Lembro-me de como murmurava no início, pois queria jogar futebol, assistir TV, sair com meus amigos, jogar bola de gude e atividades de qualquer criança. Com o tempo aprendi que tinha tempo para tudo, para brincar, para estudar, para comer na mesa, para mexer no computador, para ler, enfim, gratidão define minha infância.

Espontaneidade.

Ser professor…

O professor está “condenado” a apostar no futuro, todo professor que dispende de forças para sempre ensinar e nunca parar de aprender busca intermitentemente resultado positivo, resultado este que, diferente de outras profissões, vem após muitos anos. Neste quesito, portanto, espero que esteja deixando meus mestres orgulhosos por aquilo que tenho me tonado, pois tive, na grande maioria dos casos, bons professores, que sempre viam em mim algum potencial e tentavam me incentivar.

O professor faz a diferença, pois – mesmo que haja semelhanças com outras profissões – o momento em que a educação vai ao encontro do conhecimento, aquilo que outrora era nebuloso, turvo e incompreensível torna-se límpido e transparente, faz com que, imediatamente, todos os contras caiam por terra e a vida valha a pena ser vivida.

O professor traz consigo, sem dúvida, resquícios messiânicos, vontade de mudar o mundo. E muda! pois apesar da grande maioria não poder mudar a educação em modo global, em sua sala de aula ele faz toda a diferença.

Ao cabo, acredito piamente que o professor ele precisa SER professor e nunca ESTAR professor. Portanto, parabéns para você que É o professor que não desiste do aluno ruim, problemático, que dorme em sala de aula, que tem dificuldade no aprendizado, parabéns pra você que É o professor que fica angustiado em todo início de ano letivo e pensa nas diversas formas de produzir e transmitir o conhecimento, parabéns para você que É o professor que não faz distinção de cor, credo ou orientação sexual, parabéns para você É o professor que vai de encontro ao pensamento da instrução como velharia e palavrório, enfim, parabéns pela escolha mais nobre do mundo!

Parabéns também para dona Zilá, vulgo mamãe, nossa eterna professora. Obrigado por nunca desistir de nós.

Além das Páginas

Hoje, tenho duas dicas de leitura!

Se você quer conhecer um pouco sobre o professorado indico fortemente este livro. Com uma didática excelente, Leandro Karnal vai nos mostrar suas dificuldades, acertos e erros ao lecionar e quiçá, entender que nem sempre o professor que está ali nasceu para dar aula e tudo funcione como o mundo ordenado dos gregos.

Esse é um livro mais denso do que o anterior e discorre sobre a educação e o seu valor. Se você almeja ser um professor, considero essa leitura essencial para rememorar, trazer à baila e te causar incomodo em assuntos como racismo, intolerância, violência. Não se espante! Ainda estamos falando de educação.

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