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Vamos falar sobre um conto?

Não me canso de falar sobre os contos e sua magia de em poucas palavras falarem tanto. Também já escrevi sobre eles no texto “Saia da Inércia: Leia Mais Poemas e Contos”. Confere lá!

Publicado pela primeira vez em 1923, Negrinha, de Monteiro Lobato, é uma coletânea de contos que vai discorrer, basicamente sobre o Brasil do século XX. No entanto, hoje, falaremos apenas sobre o conto que dá nome ao livro e que já foi comentado de forma mais introdutória no último post “Uns e Outros – Contos Espelhados”.

Há muito do que se falar e jamais chegaremos em um fim ou em um consenso nesse texto, o que quero, na verdade, é suscitar o raciocínio, o pensamento e a discussão sobre um tema importantíssimo: O racismo. Negrinha é o conto que abre a coletânea, é curto, por vezes frio, objetivo, e, sem dúvida, foi dos textos mais tristes que li, reverberei sobre ele por vários dias, pensando e pensando sobre o tema. Mas afinal, sobre o que discorre o livro?

Monteiro Lobato é conhecido pelas sua famosas obras do sítio do pica pau amarelo como Reinações de Narizinho, Viagens ao Céu e O Saci. Todavia, essa coletânea de contos, definitivamente, apesar de ter como personagem principal uma criança, não é para elas. Negrinha, a personagem principal, é uma garota de 8 anos, órfã desde os 4 anos e que tem uma triste vida na casa de D. Inácia.

“Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta?? Não. Fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados”.

— Ai! Como alivia a gente uma boa roda de cocres bem fincados!…
A vida vivida por Negrinha é miserável e triste a maior parte do tempo. D. Inácia, a sinhá, é um ser humano podre, trata a criança como lixo, a maltrata, aplica duros castigos, com ou sem motivo, a humilha e causa em nós, os leitores, um imenso repúdio e desconforto. Imagine só punir uma criança a obrigando a engolir um ovo cozido fervendo, é isso mesmo, infelizmente. O que posso dizer é que ao ler a narrativa algumas lágrimas são impossíveis de segurar, pois certas atitudes que são impossíveis de aceitar. Triste mesmo é ler que perante a sociedade a sinhá era vista como “virtuosa e bondosa senhora”, amante dos pobres e acolhedora, plantando aqui (na terra) para colher no céu. Será que isso mudou?

Nunca vira uma boneca e nem sequer sabia o nome desse brinquedo. Mas compreendeu que era uma criança artificial…
Negrinha ficava sempre nos cantos escuros da casa, a maioria das vezes em pé , com fome, atrofiando. Sua alegria era ver o cuco sair e entrar cantando de hora em hora. Quando viu pela primeira vez uma boneca demorou pra reconhecer, seus olhos estavam vislumbrando algo inédito, a lepidez no sorriso e o encantamento eram inevitáveis. No momento da leitura tantas memórias da infância vindo e, por conseguinte, as lágrimas ainda presentes e rolando são inevitáveis. Por mais que eu chore, tenha empatia e pense sobre isso, é algo que foge completamente da minha realidade, as memórias que vinham eram de caixas de brinquedos, de minhas lamúrias por ter ganhado só uma fita do meu super nintendo ao invés das 30 que eu gostaria de ter. Que petulância a minha!Tudo isso, esse texto, as lágrimas e o pensamento reverberando é muito pouco, sinto-me frágil, inútil por que, de fato, não tenho feito muita coisa para colaborar para que esse cenário jamais volte a acontecer.

Varia a pele, a condição, mas a alma da criança é a mesma — na princesinha e na mendiga.
Nessa atualidade polarizada ao máximo, lado a lado b, coxinha ou petralha, certo ou errado, tudo isso, essa modernidade líquida, torna-nos débeis e esquecemos que, ao cabo, somos seres humanos, independente de sermos pobres, ricos, negros, brancos, altos, baixos, bonitos, feio, gordos, magros e tantos outros adjetivos que fariam essa lista tender ao infinito. O final de negrinha, que é triste e melancólico, é o final que todos nós teremos independente de qualquer adjetivo mencionado acima. O fato de escrever sobre esse conto, sem dúvida, é por que ainda creio que há esperança, minha mentalidade, visão de mundo, empatia, solidariedade, vontade de vencer, ajudar e fazer desse lugar ao qual vivemos melhorar aumentou. Espero ter te ajudado também.

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